Operação contra empresa investigada é vista com alívio por cúpula da Prefeitura de Salvador após série de problemas em contratos

A operação deflagrada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) nesta segunda-feira (13) contra uma empresa investigada por suspeitas de fraudes em licitações foi recebida com alívio nos bastidores da Prefeitura de Salvador. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a avaliação na cúpula do Executivo municipal é de que a investigação atingiu a empresa G3 Polaris, que já vinha sendo considerada um dos principais focos de problemas em contratos públicos.

Segundo fontes com trânsito no Palácio Tomé de Souza, o próprio prefeito Bruno Reis (União Brasil) teria relatado a aliados próximos a sensação de alívio diante da operação e dito que o “MP fez o que precisava ser feito” para coibir a atuação desta empresa. 

De acordo com relatos obtidos pela reportagem, a empresa acumulava um histórico de dificuldades na execução de serviços contratados pelo município. Apesar de vencer diversas licitações ao apresentar propostas com valores bastante reduzidos, a empresa teria enfrentado dificuldades para cumprir os contratos firmados, o que teria provocado atrasos e paralisações em obras municipais.

As mesmas fontes afirmam que a situação já vinha sendo acompanhada de perto pela administração municipal. Um dos fatores que chamavam a atenção era o fato de a empresa possuir uma ampla gama de atividades econômicas registradas (CNAEs), o que lhe permitia disputar licitações de diferentes áreas.

Nos bastidores da Prefeitura, a avaliação era de que a estratégia consistia em oferecer preços muito abaixo dos concorrentes para vencer os certames, mas, posteriormente, enfrentar dificuldades para executar os serviços dentro das condições contratadas.

A tensão entre a empresa e a administração municipal teria se intensificado nos últimos meses. Conforme apurou a reportagem, houve embates administrativos relacionados à homologação de novos contratos, diante da preocupação de setores técnicos quanto à capacidade operacional da empresa para cumprir as obrigações assumidas.

A empresa teria adotado medidas judiciais para obrigar o município a cumprir resultados de processos licitatórios, inclusive com pedido de prisão de um servidor.

Ainda de acordo com interlocutores do Executivo, o prefeito Bruno Reis reuniu sua equipe na semana passada para discutir a adoção de medidas administrativas contra a empresa, entre elas a abertura do procedimento para declaração de inidoneidade, sanção que impediria a participação da empresa em novas licitações públicas.

Entretanto, segundo as fontes, a documentação necessária para formalizar o procedimento ainda estava sendo concluída, e não houve tempo hábil para a adoção da medida antes da operação realizada pelo Ministério Público. Nos bastidores, integrantes da administração municipal avaliam que a investigação pode contribuir para esclarecer as irregularidades atribuídas à empresa e evitar novos prejuízos à execução de obras e serviços públicos.

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