As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros passam a valer a partir desta quarta-feira (22)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta terça-feira (21), que o Brasil não aceitará determinações externas sobre suas decisões. A declaração foi publicada nas redes sociais na véspera da entrada em vigor de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
“Hoje nada é mais sagrado do que a defesa da soberania nacional. Precisamos fazer com que o povo brasileiro sinta orgulho. Aqui nós erramos por nós. Acertamos por nós. E aqui ninguém diz o que vamos fazer. O Brasil não se entrega”, escreveu Lula.
As novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros passam a valer a partir desta quarta-feira (22), às 00h01 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos, 01h01 no horário de Brasília.
Com a medida, o Brasil passa a estar entre os países mais afetados pelas tarifas comerciais americanas, ficando atrás apenas da China no ranking de nações mais taxadas pelos Estados Unidos.
Antes da aplicação da nova alíquota, o Brasil ocupava a 13ª posição no levantamento internacional que acompanha as tarifas impostas pelos EUA. Com a mudança, o país deve avançar para a segunda colocação, ao menos até 25 de julho, quando uma tarifa adicional de 10% aplicada contra produtos brasileiros perde validade conforme a legislação americana.
Tarifa gerou reação do setor produtivo
A nova cobrança havia sido anunciada inicialmente em 1º de junho e provocou mobilização do setor produtivo brasileiro, além de audiências públicas nos Estados Unidos conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A investigação americana foi baseada na Seção 301 da legislação comercial dos EUA, que permite a adoção de medidas contra países quando Washington identifica práticas comerciais consideradas prejudiciais ou injustas.
Entre os argumentos apresentados pelos Estados Unidos está a criação do Pix, apontado pelo governo americano como um fator que teria afetado a atuação de bandeiras de cartões de crédito dos EUA no mercado brasileiro.
Também foram citadas questões ambientais, como o desmatamento, com a justificativa de que produtores brasileiros teriam vantagem competitiva por operarem sob regras ambientais consideradas menos restritivas do que as aplicadas aos agricultores americanos.

